Organizar uma programação de um festival é um quebra cabeça de mil peças. Tanta coisa linda chega ali na caixinha de correio que a gente não sabe nem por onde começar. Não bastasse isso, veio o 2020 e embaralhou tudo mais um pouco. Como organizar um festival que caiba nas nossas janelas virtuais? Se não podemos sair de casa e estarmos juntos, como nos conectar com vocês? Como adaptar a arte que é feita ao vivo (com todo mundo junto) para os formatos virtuais? Pelo Brasil e pelo mundo afora, este tem sido o desafio de muita gente que trabalha com arte, por que a arte é, sobretudo, feita de encontros. Desafio aceito, tarefa cumprida.

 

Tivemos que aprender uma porção de coisas: usar ferramentas novas, entender como cada um, em sua casa, está lidando com as programações virtuais, com o isolamento e com a ideia de tempo e presença. No meio deste outro tempo em que vivemos entre quatro paredes, quanto dura a sua concentração pra ler um livro, ver um filme, assistir a um teatro filmado? Estamos passando tanto tempo em frente às janelas virtuais... será que vamos ter paciência de passar uma hora vendo uma peça gravada, já que não é igual a ir ao teatro? E se fizermos um teatro filmado com histórias mais curtas, pensando na relação com o espectador mediada pela câmera? Tentando, por meio da câmera, trazer o espectador pra mais pertinho? Isso é cinema ou é teatro? Será que este ano não é tudo audiovisual? Chegou a sair fumacinha da cabeça de tanto ouvir perguntas assim. O fato é: Já que vamos ter que passar por este momento, a gente joga os nomes das coisas pro alto e vamos ao que importa: como vamos nos encontrar mediados por câmeras da maneira mais parecida com a experiência ao vivo?

 

Vocês vão conhecer nesta edição trabalhos que foram gravados especialmente para o Festinfante. Alguns são espetáculos que já existiam e que foram adaptados para o formato do vídeo, pensando em como aproximar o espectador aos recursos que o audiovisual nos permite. Outros trabalhos, considerando estas mesmas relações com a câmera, foram especialmente criados para o Festinfante e vão estrear nesta semana. Tem dança, teatro, música, artes visuais, literatura e audiovisual, só que, este ano, tudo misturado; e a gente vai chamar tudo de arte virtual que é pra deixar do jeitinho como a gente gosta, combinado?

 

Teremos também vários encontros ao vivo com artistas, produtores, pesquisadores, organizadores de festivais, misturando adultos e crianças online, pensando e repensando a arte feita neste momento, e o que levaremos disso tudo para o amanhã.

 

Esperamos que vocês se divirtam, se emocionem, se perguntem e façam uma bagunça danada no sofá. Faz de conta que estamos juntos como era (e será já já) ao vivo. Se a gente imagina, acontece!

CURADORES do 4º FESTINFANTE

ANDRÉA

ROSA

Atriz e produtora cultural. Idealizadora e coordenadora geral do "Festinfante - Festival de Teatro e Artes Integradas para a Infância". Coordenou a 8ª e 9 ª edições do "Itajaí em Cartaz", festival de teatro realizado pela Rede Itajaiense de Teatro. É integrante da Cia Experimentus Teatrais onde atualmente atua nos espetáculos "Meu Pai é um Homem Pássaro" e "Dois Amores e um Bicho - versão n º 2", coordenadora da Patavinas Culturais, colaboradora na Vila Sete Zero Cinco - Casa de Arte. Em 2019 foi coordenadora geral do 6º Festival Brasileiro de Teatro Toni Cunha (Itajaí).

DANIEL

OLIVETTO

​Ator, diretor e designer gráfico. Mestre em Teatro e Graduado em Artes Cênicas pelo CEART – UDESC. Integra a Cia. Experimentus desde 1999. Trabalhou em diversas montagens com grupos e artistas catarinenses como ator, diretor, iluminador, cenógrafo e designer. Foi Coordenador Geral da 2ª e da 7ª edições do “Itajaí em Cartaz” (2008 e 2013) e Coordenador de Produção do 17º Festival Catarinense de Teatro (2015).  Atualmente se dedica ao projeto "Ações para Reexistir: Pesquisa e Criação Interdisciplinar" e ao "Projeto Sementeira", nova criação para a infância da Cia. Experimentus. 

DEDA

SILVEIRA

Especialista em Arte-educação e Licenciada em Artes Visuais pela UNIASSELVI (2003), professora do ensino superior em artes desde 2012. Técnica de cultura do Sesc Blumenau onde coordena os eventos culturais e a escola de arte. Membro do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau e do comitê do Programa Nacional de Leitura - Proler. Atuou como atriz e bonequeira durante doze anos e é pesquisadora das áreas de teatro educação e artes para a infância. Já ministrou cursos e oficinas em diversos lugares pelo Brasil.